domingo, 8 de outubro de 2017

Nossas mochilas - Wilson Jacob Filho

"Estou cansado o tempo todo. Sinto-me um velho." Ouço queixas como essa todos os dias, vindas de pessoas com menos de 40 ou mais de 80 anos. Excetuando-se as que raramente apresentam uma causa orgânica para justificar seus sintomas, como um órgão insuficiente ou uma condição anormal, as demais se baseiam na sua percepção de desânimo.
Não pretendo discutir os distúrbios de humor. Não há espaço para isso nem é este o local adequado. Mais oportuno será tentar entender o que se esconde por trás da assertiva inicial. Primeiramente, há que se criticar essa imprópria correlação entre a falta de vigor e a faixa etária, visto que grande parte dos idosos mostra-se disposta a realizar suas atividades praticamente todos os dias.
Mais importantes, porém, são as considerações que se seguem ao simples questionamento sobre as causas do desconforto. A maioria justifica o cansaço como decorrente dos inúmeros compromissos assumidos, que constituiriam "uma carga insuportável".
Fazem muitas coisas de que não gostam e raramente fazem algo que escolheram. À pergunta "qual atividade lhe dá prazer realizar?", segue-se um profundo silêncio, quebrado apenas pelas costumeiras desculpas, como "não tenho tempo para fazer o que gostaria" ou "se eu não fizer tudo isso, não há quem faça". Os cronicamente cansados são incapazes de juntar prazer ao seu cotidiano.
Em verdade, vejo-os arcados sob suas mochilas, sem atentar para o fato de que foram os responsáveis pelo que vai nelas. Quando iniciamos nossa jornada, independente de há quanto tempo, não levamos em conta quão longa ela poderia ser. É cada vez mais provável que seja mais duradoura do que a dos nossos pais e ainda mais longa que a dos nossos avós.
Isso requer atenção naquilo que colocaremos nas costas para carregar pela vida afora. É compreensível que nos preocupemos em guardar o que nos poderá ser útil, mas freqüentemente nos surpreendemos acumulando tudo o que passa diante dos nossos olhos.
Com isso, a mochila vai ficando mais pesada. Logicamente podemos esvaziá-la, mas, em geral, somos impedidos por temores decorrentes da nossa expectativa de "segurança plena". A melhor síntese dessa dificuldade se encontra nas divagações de Mr. Harry, em "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde, que, tentando explicar as incoerências da sociedade ao jovem, considerou: "Quantas coisas não atiraríamos fora se não tivéssemos receio de que alguém as apanhasse e fizesse bom uso delas".
Que bobagem! O prazer não é competitivo. O fato de que os outros o têm não significa que ele não possa ser nosso. Concluindo, a mochila não precisa estar atulhada de artifícios que garantam a felicidade eterna. O que realmente faz a diferença, quando grande parte do trajeto já foi percorrida, é o vigor adquirido na jornada. Não apenas o vigor físico, que nos permita a independência, mas principalmente o vigor emocional de quem aprendeu muito no caminho e vai poder utilizar toda a experiência acumulada para superar as dificuldades que o tempo progressivamente nos impõe.
Quem chegar lá na frente com uma mochila leve, repleta de histórias para contar, certamente estará fazendo uma agradável viagem. "Estou cansado o tempo todo. Sinto-me um velho." Ouço queixas como essa todos os dias, vindas de pessoas com menos de 40 ou mais de 80 anos. Excetuando-se as que raramente apresentam uma causa orgânica para justificar seus sintomas, como um órgão insuficiente ou uma condição anormal, as demais se baseiam na sua percepção de desânimo.
Não pretendo discutir os distúrbios de humor. Não há espaço para isso nem é este o local adequado. Mais oportuno será tentar entender o que se esconde por trás da assertiva inicial. Primeiramente, há que se criticar essa imprópria correlação entre a falta de vigor e a faixa etária, visto que grande parte dos idosos mostra-se disposta a realizar suas atividades praticamente todos os dias.
Mais importantes, porém, são as considerações que se seguem ao simples questionamento sobre as causas do desconforto. A maioria justifica o cansaço como decorrente dos inúmeros compromissos assumidos, que constituiriam "uma carga insuportável".
Fazem muitas coisas de que não gostam e raramente fazem algo que escolheram. À pergunta "qual atividade lhe dá prazer realizar?", segue-se um profundo silêncio, quebrado apenas pelas costumeiras desculpas, como "não tenho tempo para fazer o que gostaria" ou "se eu não fizer tudo isso, não há quem faça". Os cronicamente cansados são incapazes de juntar prazer ao seu cotidiano.
Em verdade, vejo-os arcados sob suas mochilas, sem atentar para o fato de que foram os responsáveis pelo que vai nelas. Quando iniciamos nossa jornada, independente de há quanto tempo, não levamos em conta quão longa ela poderia ser. É cada vez mais provável que seja mais duradoura do que a dos nossos pais e ainda mais longa que a dos nossos avós.
Isso requer atenção naquilo que colocaremos nas costas para carregar pela vida afora. É compreensível que nos preocupemos em guardar o que nos poderá ser útil, mas freqüentemente nos surpreendemos acumulando tudo o que passa diante dos nossos olhos.
Com isso, a mochila vai ficando mais pesada. Logicamente podemos esvaziá-la, mas, em geral, somos impedidos por temores decorrentes da nossa expectativa de "segurança plena". A melhor síntese dessa dificuldade se encontra nas divagações de Mr. Harry, em "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde, que, tentando explicar as incoerências da sociedade ao jovem, considerou: "Quantas coisas não atiraríamos fora se não tivéssemos receio de que alguém as apanhasse e fizesse bom uso delas".
Que bobagem! O prazer não é competitivo. O fato de que os outros o têm não significa que ele não possa ser nosso. Concluindo, a mochila não precisa estar atulhada de artifícios que garantam a felicidade eterna. O que realmente faz a diferença, quando grande parte do trajeto já foi percorrida, é o vigor adquirido na jornada. Não apenas o vigor físico, que nos permita a independência, mas principalmente o vigor emocional de quem aprendeu muito no caminho e vai poder utilizar toda a experiência acumulada para superar as dificuldades que o tempo progressivamente nos impõe.
Quem chegar lá na frente com uma mochila leve, repleta de histórias para contar, certamente estará fazendo uma agradável viagem.


sábado, 7 de outubro de 2017

ARQUITETANDO COM THELMA: BANCO NA SALA DE JANTAR!

Você quer, Thalita Goés, incorporar com muito charme um banco na decoração da sala de jantar. Gostei da sua ideia, para ganhar personalidade e muito charme, o banco vai adicionar um detalhe que não passará despercebido e pode ser harmonizado com os mais diferentes estilos. Inspire-se!  















sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Livraria em Chengdu

Localizado no centro Vintai (Chengdu), esta livraria desenhada pelo escritório  "X+Living" incorpora o encanto cultural desta cidade populosa no oeste da China. As ruas de Chengdu passaram a ser uma paisagem única, com a sua atmosfera cultural e lazer notável, passando pela vida de cada pessoa, e mostrando devidamente a sua elegância











quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Torneira acoplada com a cuba!

Sensacionais essas cubas para sanitário totalmente integradas com as tornieras que delas a água brota como se fosse cascata.  Designer de Joel Roberts.


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Casa Revestida de Paletes!


Esta casa está revestida por paletes de madeira, gerando uma tela, um elemento que filtra a luz para os espaços interiores e varanda. Os painéis operáveis permitem a personalização da privacidade na cobertura do dormitório principal, dando um aspecto dinâmico à rua frente à fachada. Gesso branco cobre o resto da casa, um material liso, brilhante e tátil. Um projeto datado de 2017, com uma área de 244 m², criação do escritório Meridian 105 Architecture.





















www.archdaily.com

terça-feira, 3 de outubro de 2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

domingo, 1 de outubro de 2017

Para quem me odeia - Fernanda Young:

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna.